Amor e Ódio na Comunicação Social


Que a união faz a força não é de hoje que sabemos. Mas que o preconceito entre Jornalistas, Publicitários e RP’s podia ser tão forte é algo ainda incompreensível para mim.... É natural que existam desavenças entre áreas próximas, afinal, faz parte da competitividade do mercado. Em alguns casos as diferenças podem até ser saudáveis, já que contribuem para uma tendência de melhoria na qualidade do trabalho em busca de destaque profissional. Mas o que eu não imaginava era que esse preconceito pudesse ser tão presente entre o trio JOR-PP-RP até que ouvi críticas ferozes e inquestionáveis de uma jornalista conhecida minha. E não é o fato de eu ser uma publicitária que ofende. O que assusta é o grau de revolta da moça, que acaba generalizando sua opinião sobre todos os comunicadores de outros segmentos que não o seu. E é aí que está o grande erro. Como podem três profissões que são diretamente complementares e que deveriam, mais do que quaisquer outras, atuar juntas, viver em pé de guerra numa disputa de egos completamente sem fundamentos ou razões lógicas??!!! É a mesma coisa que “estômago e fígado” se repelirem. Só que um não pode existir sem o outro! Em todo e qualquer curso que privilegie uma formação profissional ou alguma forma de conhecimento, partimos do pressuposto de que faz parte do conteúdo básico de todos eles a compreensão da importância que cada profissão exerce na sociedade, bem como no mercado e em outras áreas profissionais. E não importa se falamos em nível técnico ou de qualquer titulação que seja. O ponto que precisa ser valorizado é o fato de que cada profissão tem uma especialização mais profunda em determinadas técnicas e ferramentas, o que permite ao profissional realizar um trabalho com maior precisão e menor chance de erros. E cada um deve ser respeitado dentro de sua formação por isso, exercendo um papel de importância na sociedade, mesmo que muitas vezes as pessoas não percebam essa importância tão claramente. Não é só uma questão de preconceito. É uma questão de ética, de profissionalismo. É sobre o tipo de profissional que pretendemos ser. Se você generalizar sua opinião sobre todos os profissionais de uma área porque um deles cometeu um erro ou agiu de forma não muito louvável, isso vai acabar criando uma imagem negativa para você mesmo, já que mostra falta de clareza ao analisar cenários e visão comprometida do todo. Achar-se mais capaz que os outros ou desacreditar no mérito do próximo é o mesmo que viver uma realidade paralela, isolada do mundo real, em que existe apenas o seu próprio “eu”. Não há espaço para esse tipo de mentalidade no mundo globalizado. Cada vez mais o mercado procura por profissionais capazes de atuar em conjunto para atingir os objetivos da empresa da melhor forma possível, em sintonia. A capacidade de trabalhar em grupo é hoje uma das características mais valorizadas nas avaliações de emprego, e aqueles que não se adequarem a essa nova realidade urgentemente estão à mercê do erro. A mudança (e a esperança) está nas mãos da geração que está em formação no momento, já que são frutos das constantes inovações mercadológicas levadas para a sala de aula. Claro que não é tão simples quanto parece e envolve a mudança cultural de muitas empresas e profissionais, mas a evolução é iminente, e aqueles que estiverem mais preparados poderão garantir posições bem mais vantajosas num futuro muito próximo. O grande profissional não é aquele que teve as notas mais altas da turma durante sua vida acadêmica, mas aquele que é capaz de trabalhar em conjunto, que é desprovido de preconceitos e que sabe ter uma visão panorâmica da realidade para agir com clareza, firmeza e sabedoria.

#comunicação #jornalismo

© Letícia Spinardi

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