Empreendedorismo jovem: por que você deveria abraçar essa causa com orgulho


Em um mundo onde muitos escolhem o caminho mais fácil, alguns talentos incríveis se destacam pela vontade de fazer acontecer. E esse empreendedorismo jovem, como o da pequena-grande Gabriela, se torna motivo de orgulho e exemplo até para alguns veteranos. Vem comigo conhecer essa história!


Algumas histórias não apenas merecem, mas DEVEM ser compartilhadas!


Essa semana tive o enorme prazer de fazer um projeto de identidade visual para uma jovem mocinha chamada Maria Gabriela Badolato Cardoso. Conheci a Gabizinha, como é carinhosamente conhecida por todos, na academia. Ela foi minha parceira no trio formado por nós duas e o namorado dela, Gabriel, na Iron Race, uma prova de corrida com obstáculos. Todos loucos, os dois pelo menos uns 10 anos mais novos que eu rs, e detalhe: a irmã do Gabriel foi minha colega de sala no primário... Que mundo pequeno! Nem é preciso dizer que os dois novinhos arrebentaram e a tiazona aqui pastou para acompanhar o ritmo deles. Mas não me abandonaram por um segundo sequer esses pequenos anjos!

Naquela época eu jamais poderia imaginar que um dia essa parceria fiel viria direto da pista de corrida para o mundo do empreendedorismo e seria a minha oportunidade de retribuir o incrível apoio que eles me deram.


Pois bem. Essa mesma jovem guerreira, forçuda e da pegada também tem mãos de fada para doces e confeitos deliciosos que ganharam o paladar e o coração de muita gente no último ano. Mas sabe o que é mais legal nessa história? A veia empreendedora que a Gabi demonstra desde seus primeiros passos, mesmo que ela nem soubesse o tamanho do que estava construindo...


Gabi é apaixonada por dança. E tudo começou quando ela decidiu começar a fazer algo que sempre gostou – guloseimas – para vender com o objetivo de pagar as competições das quais participava e ajudar nos figurinos, que eram sempre muitos no período de festivais do final do ano. Ou seja: ela usou uma paixão para viabilizar outra. Depois, com a correria, precisou parar um tempo com sua empreitada, mas não demorou a retomar, sobretudo porque muito além de ajudar em suas economias pessoais, ela ama o que faz. Gabi também é uma filha dedicada, namora o Gabriel, é assídua e exemplar nos treinos da academia e acaba de se formar, para orgulho da mamãe e papai babões. E nem com toda essa carga de atividades ela deixa de fazer algo admirável no mundo de hoje: sorrir, o tempo todo! Não é à toa que essa menina tão doce quanto as guloseimas que confeita é tão querida por todos.


Extremamente caprichosa e dedicada, ela foi se aperfeiçoando e o que começou com um cardápio de trufas e alguns docinhos logo se transformou em uma pequena confeitaria com uma enorme variedade de opções entre doces e salgados. Seu público também cresceu. E um belo dia, quando estava em uma semana coberta de caos, escuridão e com tudo de ponta cabeça, essa jovem publicou no facebook um pedido de ajuda em busca de alguém que fizesse etiquetas para suas encomendas. Foi aí que meu dedinho rápido no gatilho não se aguentou e entrou em ação. E aquele pedido de ajuda se tornou uma luz de esperança na minha semana.

Quantas vezes você cruza por aí com uma jovem de 16-17 anos que desde cedo começa a investir sem medo no próprio negócio?

Infelizmente não é todo dia. E essa sede de fazer acontecer da Gabi me chamou a atenção. Então fui lá entender o que ela precisava e como eu poderia ajudar. E claro que essa ajuda não era só em executar, mas também em mostrar para ela tudo que poderia ser feito para elevar o poder de ação que ela tinha em mãos e sequer imaginava. E o que era para ser só uma etiqueta se transformou em um projeto de identidade visual completo, do nome à comunicação da marca.


Fiz tudo como manda o figurino. Não é porque ela estava começando que merecia ser tratada com menos zelo ou cuidado que um grande cliente. Preparei proposta, orientações, tudo como deve ser. E como alguém que está sendo lapidada no mundo do empreendedorismo, também não foi um favor: ela pagou pelo serviço! “Ah, Letícia, mas custava ajudar a menina sem cobrar?”. Claro que não! Mas eu preparei uma proposta especialmente para ela considerando o início de sua jornada com um valor simbólico, mas de grande importância. E foram duas as principais razões que me levaram a isso:

  • Para ela, como empreendedora, é importante aprender o valor da negociação em situações de qualquer natureza. Isso será uma etapa determinante para o seu sucesso no futuro;

  • Tudo aquilo pelo que batalhamos de alguma forma tem mais valor. A ideia de incentivá-la a pagar um valor, mesmo que simbólico, para investir no crescimento do seu negócio mostra que é preciso nos planejarmos para crescer e que nada vem sem sacrifícios, principalmente para quem empreende. Ela ainda vai esbarrar com desafios muito maiores no futuro, e se estiver preparada, menor será o seu sofrimento e maior a sua perseverança em contornar os obstáculos;

Alguns dias depois estávamos a todo vapor finalizando as peças e colocando em ação o novo plano da marca Badolato Confeitaria. A participação da Gabi foi incrível em cada detalhe. Segura, pontual e certeira, a mesma paixão por fazer doces ela colocou na escolha da sua marca, algo essencial para qualquer processo de concepção de uma identidade visual. E a cada passo eu me encantava mais com a sede de fazer acontecer e o empreendedorismo dessa mocinha, pensando em quanto ela merece um projeto muito melhor do que eu posso entregar. E estou certa de que no futuro ela terá a oportunidade de ter um grande designer ao seu lado e eu espero poder continuar contribuindo dentro da minha área de especialidade, que é o conteúdo e as estratégias de marketing digital.


Enquanto fazíamos tudo isso, em paralelo ela trabalhava no novo negócio em qual a família tinha acabado de investir, dedicando meio período ao apoio na gestão e atendimento ao cliente. Mas nem mesmo toda essa agitação a impedia de pensar em novas estratégias de crescimento e testar novas receitas. “Mas se eu quiser incluir novos itens no cardápio é fácil editar?”. Ah, quanta alegria em ver isso acontecendo!



Em um mundo no qual tantos jovens de 16 anos estão nas ruas aprontando, nas salas de aula agredindo professores ou reclamando porque os pais ainda não compraram seu Nintendo Switch, ver esse tipo de iniciativa faz brilhar os olhos de quem conhece as dificuldades que enfrentamos para desbravar o mercado todos os dias e nos traz uma energia incrível para contribuir com isso.


Mais do que isso, acompanhar trajetórias como a da Gabi muitas vezes nos faz reviver dificuldades que nós tivemos quando começamos. Eu lembro de ter começado jovem como ela, aos 14, fazendo bordados pra fora pra juntar uma grana antes de conseguir meu primeiro emprego. Nunca é fácil. Muitas vezes você não sabe nem mesmo por onde começar e não tem ideia de para onde está indo.

Pense em quantas pessoas te ajudaram quando você começou sua carreira. Provavelmente esse é um número bem menor do que você gostaria ou do que poderia ser. Tornar essa estatística diferente é não apenas parte de nossa responsabilidade como quem sofreu as dores um dia, mas também o caminho para construirmos um mercado melhor do que o qual vivemos hoje. E esse processo pode ser bem mais simples do que você imagina.

As vezes a gente passa tempo demais tentando ajudar quem não quer ser ajudado... Então prefira dedicar essa energia à quem tem interesse de nos ajudar a construir um mundo melhor para todos. Orientar um jovem do seu convívio no qual você vê um talento promissor, se colocar à disposição para apoiar profissionais batalhadores que estão buscando uma oportunidade de mostrar do que são capazes, tirar aquela cortina de fumaça da frente de quem está perdido no mesmo caminho em que você já esteve um dia... Tudo isso são pequenas fórmulas que para você podem ser extremamente simples e com custo zero, mas se tornam um tesouro de valor imensurável para quem está do outro lado e recebe a sua luz no caminho.


O próprio LinkedIn abre portas para esse processo através do aconselhamento profissional. É um recurso da plataforma em que você não precisa fazer nada além de indicar que aceita se colocar à disposição de profissionais que busquem mais conhecimento e informação em áreas e assuntos nos quais você já é experiente. Quando vi pensei: por que não? Se eu puder contribuir, o que me custa?


Foi assim que tive a oportunidade de tentar fazer alguma diferença na vida de seis profissionais que buscaram aconselhamento profissional comigo. Isso quer dizer que sou expert? De modo algum!!! Aliás, estou pra dizer que aprendo ainda mais fazendo isso, pois a responsabilidade de levar conhecimento rico à alguém nos faz repensar o quanto estamos nos reciclando todos os dias. E as perguntas que esses profissionais buscam muitas vezes são as mais simples e básicas: como começar, por exemplo?


Esses dias mesmo tive a oportunidade de trocar figurinhas com a @Beatriz Souza. Ela já trabalha com marketing digital e agora está aprofundando seus conhecimentos em SEO e quis conversar a respeito. O que eu sei certamente é muito pouco entre tudo que ela precisa aprender. Mas se de alguma forma esse pouco a ajudou em seus primeiros passos, então já sou extremamente feliz por ter contribuído de alguma maneira.

Essa troca é incrivelmente enriquecedora para os dois lados. Precisamos fazer o mundo perder aquela velha mania de achar que compartilhar conhecimento é aumentar a concorrência.

Compartilhar conhecimento é construir qualidade! Quando o outro cresce, você cresce e todo mundo ganha. A lógica é simples. O grande segredo não está no básico, e sim no quanto você ama e se dedica ao seu negócio, é aí que você vai realmente fazer a diferença. O conhecimento é um bem universal e DEVE ser compartilhado.


Por isso, quando você vê um jovem empreendedor em ação, invista nisso com todas as suas apostas. Ajude-o a encontrar os caminhos menos dolorosos. Ninguém está isento ao erro, mas você pode mostrar a ele que é possível aprender e melhorar, até que se torne capaz de evitar ao máximo os erros na jornada. É de cada um de nós o papel de construir um mercado melhor, não importa de que maneira.


Eu tenho 15 anos de mercado (se contar os tempos de bordado são 19 – OMG!). Passei por várias fases e hoje atendo pequenas, médias e grandes empresas. Mas ainda tenho muitos e muitos obstáculos e desafios para colecionar à minha frente... Nunca saberemos tudo, é preciso humildade e lembrança diária sobre este fato. Mas eu sempre fiz questão de deixar as portas abertas para quem está começando, tanto como uma forma de retribuir ao universo tudo aquilo que recebi de tantas pessoas que contribuíram com o meu crescimento pessoal e profissional ao longo dos anos, quanto por acreditar que essa é uma de nossas missões no mundo.

No final, quando nosso tempo acabar, não são os números que colecionamos que serão lembrados, mas o impacto que produzimos com nossas pequenas ações, aquelas do dia a dia, da rotina, que não tocam apenas aos olhos, mas que ficam para sempre nas memórias.

Quando abri mão de 85% do valor habitual de um job no projeto Badolato foi porque eu acredito que este é um pequeno percentual da minha contribuição para o mundo, o meu investimento em um propósito maior. É a minha maneira simbólica de tentar ser uma “aceleradora” dessa pequena “startup” que começa a nascer.


Você não precisa investir em talentos e empresas nas quais acredita apenas com dinheiro. Existem diversas maneiras de fazer isso. Eu sinto o maior orgulho e alegria sempre que posso contribuir com algo assim. Mas nada se compara com o tamanho da minha felicidade ao ver jovens como a Gabi construindo um amanhã muito melhor do que eu poderia imaginar. E receber esse tipo de feedback não tem preço:


Voa, Gabi! A sua jornada de sucesso está só começando 🚀 

© Letícia Spinardi

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