Sobre quando a crise ensina

06 ensinamentos da crise para você repensar sua vida profissional

Tem sido uma tempestade. Seja para os jovens que nunca tinham vivenciado uma crise econômica na pele antes - podem até ter visto seus pais sofrerem quando eram crianças, ficar sem os presentes habituais e os petiscos extras nas compras do mercado, mas não é o mesmo de viver essa realidade na conta bancária todo mês ou saber como o desemprego faz alguém se sentir - ou para profissionais experientes que viveram uma vida inteira seguros pela estabilidade de uma carreira bem sucedida... A verdade é que ninguém escapou dessa vez.

Mas uma coisa é fato: a crise ensina muita coisa pra muita gente. Muitos são ensinamentos básicos, que todo mundo já deveria ter com ou sem crise, mas que muitos ignoram em sua segurança e soberba de invencibilidade eterna, até que um dia a casa cai....

Neste momento é que os preparados e os despreparados se separam como água e óleo em um mesmo copo e o mercado pode ser cruel com quem não se preparou. Mas não é o fim do mundo. Com um pouco mais de esforço, vontade de recomeçar e saber reconhecer os erros para correr atrás do prejuízo, todo mundo pode se dar bem e encontrar suas oportunidades, mesmo que seja com muito sangue, suor e lágrimas (Não caia naquela ilusão de que todo mundo consegue sorridente e feliz o tempo todo. O discurso motivacional faz sim sentido e o principal objetivo é te dar forças para continuar, mas o caminho é árduo e até que você chegue no pódio, não será fácil).

É por ter sobrevivido à essa tempestade e ainda estar vendo muitos colegas de jornada sofrerem com os estragos deixados pelo caminho que hoje vamos compartilhar algumas dessas situações e aprendizados...

Networking? Claro, sempre! Conheço um monte de gente legal da empresa que vai pro bar que eu frequento...

É óbvio que temos uma facilidade muito maior de nos abrir a novas pessoas e bate-papos em ambientes descontraídos. Não precisa ser um gênio pra saber disso. Mas todos aqueles bom dia's que você passou anos evitando no cafezinho ou corredor da empresa vão pesar quando, um dia, você for demitido e começar a lembrar de tantos contatos que já estão em outras companhias e poderiam te ajudar com uma recolocação simplesmente porque você era uma pessoa agradável. Os caras da empresa que vão pro mesmo bar que você podem ser legais, mas talvez nem todos possam te ajudar neste momento e alguns deles podem estar na mesma situação que você (PS: Absolutamente nada contra quem vai pro bar, eu também vou sempre que posso)...

Você pode não aceitar essa realidade, mas mesmo as conversas mais banais em um café podem te abrir portas. É o momento em que as pessoas se conhecem e passam a entender mais as habilidades e perfis de cada um. E um dia isso pode ser usado a seu favor.

Não estou falando de ser puxa saco, até porque isso não é habilidade - é ponto negativo, caso você não saiba! Mas do networking puro, simples e inocente, informal e indolor (acredite, não dói falar bom dia, oi, tchau, até logo e outros tipos de diálogos de aproximação inofensivos).

Se você cometeu o erro de não ser assim até hoje, está na hora de mudar. Respira fundo, dá um passo pra trás, respira fundo outra vez, levanta a cabeça e vamos recomeçar. Vai ser difícil estabelecer contato com alguém que você nunca conversou justamente agora, no momento em você precisa de indicações e ajuda, sem parecer interesseiro.

Mas você precisa ser transparente e reconstruir laços. E essa atitude deve partir de você!

"Ahhh, Letícia... Mas eu sou uma pessoa tímida. Tenho dificuldade em fazer contato com outras pessoas". Acredite, eu te entendo... Mas se você não der o primeiro passo, isso nunca vai mudar. Não precisa sair por aí com o sorriso do Coringa e abraçando todo mundo. Você não é Mary Poppins. Basta um olhar e aquele meio sorriso, com um oi baixinho para começar... A outra pessoa vai perceber sua boa intenção e vai te ajudar. Tem gente boa nesse mundo, a gente só precisa saber começar essa corrente.

Já fiz faculdade e pós, agora quero é ganhar a vida...

Estudar pode ser chato às vezes, mas só é um inferno se você faz algo que odeia... E se esse for o caso, já começou tudo errado!

A grande verdade é que o mercado evolui, assim como a vida, a natureza, o ser humano, a tecnologia e tudo que nos cerca. Se você acha que não precisa estudar, é porque acha que não há necessidade de evoluir profissionalmente. E aí, meu amigo, boa sorte! Porque enquanto eu e o resto do mundo estaremos ativos na jornada, você vai sentar em uma pedra para assistir lá do meio do deserto do Saara e o mais perto que chegará de onde estamos é com um delírio gerado pelo intenso vazio que te cerca.

Não precisa fazer um milhão de cursos de graduação e pós graduação se estudar não é sua praia. Mas você pode optar por cursos rápidos (o que não falta hoje em dia!) para manter-se em dia com as tendências e continuar acompanhando o processo de evolução.

De novo: não dói, não machuca, faz e bem e ainda vai te dar mais segurança para ir cada vez mais fundo no seu conhecimento prático, o que também pode te dar oportunidade de crescimento, reconhecimento, evolução salarial (agora ficou interessado, né?!).... Então vai:

Começa levantando o dedinho aí do mouse e abre uma página do Google para começar a procurar cursos na sua área. Tem pagos, gratuitos, online, presenciais, individuais, em grupo... Pode escolher que o cardápio é vasto! Hoje é você aprendendo, mas amanhã pode ser você ensinando e até ganhando algum dindin com isso.

Eu tento ficar em dia com as notícias, mas não tem condições de ver Jornal Nacional e toda a influência global

Primeiro - não sou a favor nem contra a Globo ou o Jornal Nacional. Eu considero que toda fonte de informação é válida. O que importa é você sempre consultar mais de uma ou duas visões para tirar suas conclusões a respeito de uma notícia, sobretudo quando ela é polêmica.

Mas voltando ao tópico.... Meu amigo, deixa eu te contar uma coisa no pé do ouvido, porque todo mundo já sabe menos você: "não existe só o Jornal Nacional no mundo, sabia?".....

Pronto! Agora você já é uma nova pessoa e pode mudar de atitude! Tem um monte de canais de notícias, milhares e milhares de páginas disponíveis na web, com veículos e jornalistas renomados. O fato é que nem todo mundo acerta sempre e nem todo mundo pensa igual. É igual diagnóstico médico quando a doença é grave: você sempre pede uma segunda opinião, não é? Com informação é a mesma coisa... Corre atrás, meu filho!

Quer ver um jeito legal da notícia vir até você e você não ter que se matar para ir até ela? Redes sociais! É o caminho mais rápido para saber um pouco de tudo que acontece no mundo. Mas, poooor favoooor, não acredite em tudo que você lê (lembre-se sempre da segunda opinião) e não saia clicando em link de notícia de canal que você nunca ouviu falar no mundo... Dá uma analisada se o amigo que compartilhou a nota é um cara antenado, se o veículo que publicou é conhecido... Enfim, um dia vou colocar um post aqui só sobre isso pra te ajudar.

Só fica desinformado quem quer. E não, não precisa perder o dia inteiro com isso, até porque a era da informação trouxe um volume impossível de dados para acompanharmos tudo que acontece integralmente. Separe uma hora do seu dia para se informar e dedique-se nessa hora.

Amanhã isso pode te render até ganhos com ações na bolsa se você fizer um trabalho bem feito.. (e note como toda vez que eu falo algo que mexe com seu bolso o seu interesse aumenta!).

“Odeio redes sociais” ou “Eu curto mesmo é Facebook, não entendo esse LinkedIn”

Beleza, você não fez sua conta quando deveria ter feito. E agora tá aí, desesperado sem saber como começar a fazer contatos para encontrar uma oportunidade de trabalho, já que na crise a coisa fica feia, o trabalho está escasso e você não sabe como ir além do seu alcance geográfico (e existe um milhão de pessoas concorrendo pelas mesmas vagas que você em todos os outros portais de vagas e cadastros de currículos)...

Eu não vou nem comentar o que penso sobre você ainda não estar lá... Vamos focar no que é preciso: criar sua conta e começar sua empreitada agora!

Mas tem algo MUITO importante que você precisa saber sobre LinkedIn: não é só colocar suas informações ali e achar que isso é suficiente. O LinkedIn é uma rede de "re-la-ci-o-na-men-to". Entendeu?Ou seja, você precisa se comunicar, fazer contato, interagir! E tem um montão de maneiras de fazer isso... Adicionando contatos que você fez ao longo da carreira (gente que trabalhou com você, que conhece seu trabalho, clientes, fornecedores, todo mundo que você fez contato um dia é válido),

colocando mais detalhes sobre suas habilidades e especialidades, projetos que participou, caprichando na descrição do seu resumo, publicando artigos sobre suas especialidades e experiências para mostrar e compartilhar conhecimento, pedindo avaliações para contatos que conhecem bem seu trabalho e podem te recomendar bem, dando recomendações à pessoas que trabalharam com você (isso pode gerar moeda de troca válida), acompanhando notícias (olha aí outra saída pro tópico anterior!), participando e comentando debates em grupos, curtindo, compartilhando e comentando publicações de contatos, enfim... O que não faltam são oportunidades de interação. Aí entram alguns pontos de apoio um pouco mais técnicos para ajudar nos mecanismos de busca da rede usados pelos recrutadores, mas isso é assunto pra outro post (enquanto isso aproveita essas dicas ótimas do Rodrigo Pace de Barros e essas aqui, também sensacionais, do Matheus de Souza sobre publicação de artigos e comece a escrever! Isso também ajuda muito a te promover na rede).

O negócio é você começar e todo dia se dedicar um pouquinho a alimentar sua rede para manter eu perfil em evidência. Se você fizer a sua parte direitinho, as oportunidades vão surgir. Acredite no potencial do LinkedIn e entenda que ele não é uma agência de empregos, e sim uma rede para construir e fortalecer relacionamentos. E relacionamentos podem te trazer oportunidades muito mais valiosas que uma agência de empregos.

Eu não tenho nenhum desejo em empreender, gosto da segurança e conforto do mundo CLT

Te entendo perfeitamente, já pensei assim um dia. Mas o que eu não sabia é que eu já era uma empreendedora aos 19 anos, quando comecei a fazer freelas na minha área para criar portfólio. Demorou para eu entender isso e virar a chave, mas cá estou, 11 anos depois e com um boa bagagem, descobrindo "oficialmente" o mundo do empreendedorismo e investindo cada vez mais nisso, ao lado de parceiros incríveis que me ajudam a ficar mais apaixonada por isso a cada dia.

Uma coisa que você aprende sobre empreender é que isso pode ser o seu Plano B. Aquele que não vai te deixar na mão ou no sufoco quando a vida de CLT te der um susto (como geralmente acontece nos momentos de crise). Eu passei pelo susto, mas não pelo sufoco, porque meus projetos paralelos estavam lá, ativos e esperando por mim. E fui me apaixonando cada dia mais por eles, eles foram crescendo e se tornaram um negócio.

Eu não estou falando que você precisa empreender obrigatoriamente na sua vida, até porque o empreendedorismo não é um caminho fácil e exige muita dedicação e amor pela causa. Mas a reflexão aqui é: você tem um plano B? De onde você tira dinheiro quando está desempregado e o seguro desemprego acabar? São coisas que você talvez nunca tenha pensado antes por nunca ter vivenciado essa situação, mas TODO MUNDO (do estagiário ao CIO) precisa pensar sobre isso na vida.

Crie suas próprias oportunidades de garantir uma aposentadoria confortável, porque o nosso modelo atual não vai te manter tranquilo quando chegar a hora de depender do governo. Você precisa encontrar sua independência financeira e fazê-la trabalhar a seu favor. Se não for empreendendo, que seja investindo ou poupando e fazendo suas economias renderem, mas PENSE sobre isso, empregado ou não, e trace um plano para evitar sustos e ser mais feliz.

Você pode continuar sendo CLT a vida toda se quiser e não tem mal nenhum nisso! O conforto e segurança dessa opção fazem todo sentido, sobretudo para quem tem família e conta para pagar no fim do mês. Mas esteja sempre um passo a frente, com alternativas disponíveis.

E se nessa jornada você cruzar com o bichinho do empreendedorismo, se prepare! Uma vez picado por ele, não tem mais cura. De repente você pode descobrir seu Plano B financeiro e profissional, porque nem sempre quando a gente aposenta oficialmente isso significa que precisamos parar de trabalhar!

Vivemos em uma população de idosos ativos, o que é ótimo! Isso reduz os riscos à saúde mental e emocional (quanto menos tempo livre, menos tempo pensando bobagem), o estresse familiar (já viu marido e mulher quanto aposentam e passam metade do tempo brigando dentro de casa por bobagem? rs) e ainda te garante atividade para prolongar o desejo de viver. Mas, claro, não queira ter o mesmo ritmo dos 30 anos. Você trabalhou a vida toda, merece desancar e curtir a aposentadoria! Se planejar direitinho, você terá uma estrutura de apoio, alguns funcionários te ajudando e seu trabalho pode ser muito mais um hobby, com total flexibilidade para férias e viagens a qualquer momento (sempre garantidas com o lucro dos negócios $$). Até aquele bordão do "vou largar tudo e vender coco na praia" pode funcionar se você planejar do jeito certo.

Por essa eu não esperava... O que eu faço agora?

Muito bem, esse é o sentimento inicial que muita gente tem ao ser demitido. Mas algumas vezes vai muito além disso, chega a ser uma dor emocional-quase-física, dependendo da situação em que o desligamento acontece. Mesmo que seja tudo pacificamente - o famoso "terminamos mas continuamos amigos" - a história de cada um com a empresa é que vai determinar o tipo de sentimento que o adeus pode gerar... E a Claudia Giudice relata com uma frase perfeita essa dor no artigo publicado pelo Coach Paulo Lot: "Não era medo. Nem necessidade. Não tinha urgência de arrumar outro emprego. Era a dor de perder algo que eu amava. Era a dor de ter sido rejeitada. Sofria porque, ao arrancarem meu crachá de 23 anos, arrancaram junto a minha pele. Estava em carne viva. Doía, latejava, ardia."

Mas depois que você respirar e secar as lágrias, é hora de começar a olhar para o lado bom desse aprendizado. E foi a Ana Maria Braga quem escreveu um texto sensacional sobre isso: "Tomar um pé na bunda foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida".

O que ela diz sobre como um pé na bunda pode te levar pra frente é a mais pura verdade. Mas você precisa ter vontade de ir adiante. Todos ficamos tristes com rompimentos. Sair de uma empresa em que você se dedicou por anos é como terminar um casamento: jamais será tão simples ou fácil. Você pode ter o seu tempo de recolhimento e "sofrência", mas ele deve ser breve. Sofra por, no máximo, três dias. Depois junte toda seu conhecimento e vontade de fazer acontecer, arregace as mangas e recomece. O mundo não para porque você está triste e ficar sentado no sofá vendo Netflix enquanto o mercado continua girando não vai garantir a sua sobrevivência (e talvez não garanta nem o Netflix dali alguns meses).

Se mexa! Dê um choque em você mesmo! A responsabilidade é só sua e de mais ninguém. Você pode não ter culpa na sua demissão, mas tem culpa se continuar sentado esperando que uma nova oportunidade caia no seu colo.

Esse é o momento de juntar toda sua bagagem e os aprendizados anteriores e partir pra guerra. É uma guerra de uma pessoas só e é sua. Se você vai vencer ou perder, está em suas mãos. A vida pode reservar caminhos surpreendentes nesta jornada e muito melhores do que você ousaria imaginar. Você só precisa estar aberto e partir para a ação. O resto vai acontecer no momento certo.

A hora de começar é agora

Quando a crise me pegou, eu não estava desprevenida. Eu tive que lidar sozinha com a fase do susto emocional e isso não tem jeito. Ninguém pode te ajudar a sair da fossa se você não quiser sair dela. Mas muita gente me procurou e se disponibilizou a ajudar nesta jornada sem que eu tivesse que acioná-las primeiro, recebi propostas de trabalhos e jobs de contatos que sabiam que eu estava livre, os cursos rápidos que fiz me ajudaram a manter o conhecimento em dia para novos trabalhos, meu perfil no LinkedIn foi essencial para criar alguns contatos estratégicos e o empreendedorismo que eu nem sabia que tinha em mim aflorou e trouxe novos negócios muito mais rápido do que eu poderia esperar.

Mas eu vi muita gente que não praticou os itens acima ao longo de sua carreira sofrer as consequências duras de um recomeço doloroso. Então cada um desses tópicos é uma experiência prática de que podemos sim enfrentar as dificuldades sem medo e conseguir superá-las, se quisermos. Repito novamente - não é fácil e você vai pensar em desistir, vai repensar um milhão de coisas na sua vida. Mas quando chegar lá também vai saber que cada pedacinho de sacrifício valeu muito a pena.

Então abra sua mente, amplie sua visão e vá além. A gente não vive em uma caixinha, vive em um lugar gigante chamado mundo, que fica dentro de outro maior ainda chamado Universo. NÃO ESTAMOS SOZINHOS e nem precisamos ficar.

Você é quem define como será sua jornada e esse passo será muito importante para o seu sucesso no futuro, que caminha para um novo formato e modelo de trabalho em que as parcerias e relacionamentos serão fundamentais - e esse será o tema de um de um próximo post por aqui, fique ligado! ;)

Só depende de você. Passou o tempo de ficar jogando a responsabilidade de seus sonhos e expectativas em outras pessoas. A verdade é dura, mas universal: somos os únicos responsáveis pelo que conquistamos ou não. Ou, simplificando nas palavras eternizadas de Antoine de Saint-Exupéry, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”...

Você também passou por isso e aprendeu alguma lição que não está aqui?

Compartilhe com a gente! Conte nos comentários as lições que você aprendeu ou que viu colegas de profissão aprenderem nessa aventura chamada vida corporativa.

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© Letícia Spinardi

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