As lições do primeiro emprego a gente nunca esquece...



Seus primeiros aprendizados sobre atendimento ao cliente começam quando você coloca o pé no mercado de trabalho. E se você for inteligente, pode transformar os dramas do primeiro emprego em lições valiosas para sua carreira.


A busca pela excelência é incessante. Às vezes me pego pensando que é quase tão intensa e repetitiva (ou talvez até mais!) quanto um pássaro que precisa aprender a voar. Não é apenas uma questão de desejo, vontade. Mas de sobrevivência! Se você não aprende a voar, fica sujeito aos riscos de um predador ou mesmo das forças da natureza. E o mesmo acontece no mercado. Seu concorrente pode te abocanhar num piscar de olhos ou a economia te levar como uma enchente de verão.

A questão é: qual o tamanho do seu desejo em buscar a sua melhor versão todos os dias?

Cada vez que iniciamos um novo desafio na vida – e aqui não importa se é profissional ou pessoal – estamos, de algum modo, aprendendo. E com o aprendizado, nos lapidamos e tentamos nos tornar pessoas melhores. Talvez nem todos, mas pelo menos a maioria de nós. Sabemos que alguns não aprenderão nunca, não porque não podem, mas porque não desejam.

E quanto trazemos essa lógica para a carreira profissional, ela pode definir não apenas o tipo de profissional que queremos ser, mas também nosso engajamento com nossas causas, nossos diferenciais e o tipo de sucesso que desejamos conquistar.


Relembrando esses dias algumas dessas lições ainda no meu primeiro emprego percebi que elas somavam um número bem maior do que eu imaginava. E mais do que isso, que sempre serão valiosas se você souber extrair a essência do aprendizado dentro de cada contexto. Então vamos à elas!



Lição n. 1: aprenda a técnica do avesso perfeito


Eu trabalho desde os quatorze anos. No começo eram bordados em ponto cruz apenas para passar o tempo, até que se tornaram uma forma de engordar a mesada e entender como o trabalho podia me ajudar a poupar mais para conquistar meus sonhos.


Os primeiros passos dei com o que aprendi com minha avó. Até que um dia decidi fazer um curso de bordado em fita também. E lá, conversando com minhas colegas bordadeiras (sim, era eu com uns quinze anos no meio de um monte de senhoras) acabei aprendendo sobre o “avesso perfeito” do pronto cruz.

Naquele momento o avesso perfeito era apenas uma técnica para deixar o trabalho visualmente mais limpo quando você olha o outro lado de uma toalha. Mas se você trouxer esse conceito ao longo de toda sua vida, o avesso perfeito diz respeito ao modo como você executa cada uma de suas tarefas diárias. Você cuida apenas da casca ou também está de olho nos detalhes que sustentam a qualidade do seu trabalho?

Assim, aprendi a minha primeira lição para a vida profissional: cuide dos detalhes e aperfeiçoe sempre o seu trabalho. Aprendi que dá sempre para evoluir e fazer o mesmo de um jeito melhor, diferente. Aqueles bordados não pagavam contas, mas boa parte do que ganhei com eles e poupei pagaram coisas importantes em minha vida. Alguns daqueles centavos certamente estão marcados nas paredes da minha casa e nas fotos de algumas viagens...



Lição n. 2: o que não fazer com um novo colega de trabalho


Aos dezoito veio o primeiro emprego. E não foi tão fácil consegui-lo como eu imaginava. Quando você é jovem e sem contatos tem um complicador ainda maior: você não sabe por onde começar! Naquela época não existiam tantos sites de carreira e oportunidades como hoje. O modelo mais comum era o currículo impresso entregue de porta em porta mesmo.


Em uma dessas idas e vindas, apareceu uma vaga de telemarketing em uma escola de informática. E lá eu aprendi tudo sobre “o que não fazer com um novo colega de trabalho”.

Primeiro dia, expediente de seis horas. Cheguei na escola e tinha uma mesinha em um canto separado esperando por mim. Nunca tinha estado em um ambiente de escritório antes (minha única lembrança disso eram as tardes desenhando na mesa do meu pai em algumas raras ocasiões em que passei pelo escritório da loja em que ele trabalhava quando eu era criança). Minhas novas colegas de trabalho eram três, estavam uniformizadas e até pareceram simpáticas a princípio. No seu primeiro dia você não sabe o que fazer, como se comportar, quem vai te ensinar, para quem você pergunta, enfim. Nada!


Até que uma delas puxou papo e perguntei o que era para eu fazer. Me deram uma lista, um telefone e disseram que eu precisava seguir um roteiro para tentar vender cursos para aquelas pessoas. Cursos de informática. Eu nem tinha feito um curso de informática (nem de datilografai eu fiz, e olha que isso era bem comum), como eu ia saber vender isso para alguém?! Sabia mexer em computador, tinha um em casa, mas era completamente diferente. Mas ok, vamos lá então.


Primeira ligação, ocupado. Segunda ligação, ocupado. Terceira ligação, ocupado. Vigésima quinta ligação: ocupado. Comento em voz alta, “que estranho, todos esses números dão ocupado” e percebo um olhar torto das três na minha direção. E eu me sentindo a estranha incompetente sem conseguir fazer uma simples ligação. Se o medo antes era não saber seguir o roteiro, que preocupação com roteiro eu teria se nem consegui um “alô” do outro lado...


Até que veio o horário de almoço e minhas colegas se foram. Eu fiquei, porque eram seis horas corridas e então eu iria embora. Nesse meio tempo chegou um professor da escola e puxou papo. Foi o primeiro sopro de alívio no meu dia. Contei para ele da dificuldade em fazer as ligações, ele achou estranho e perguntou como eu estava fazendo. Expliquei e aprendi a lição mais importante de qualquer pessoa que um dia pretende usar telefone em um escritório: “não te ensinaram que é preciso discar zero antes para puxar a linha externa”?


E nesse momento sua cara de assustada se transforma em cara de pateta idiota. Três meninas, as três me vendo apanhar e nenhuma delas para avisar. Deu meu horário de saída. Agradeci o simpático professor e fui embora. Nunca mais voltei.


Aquilo não era para mim. Nem a função, nem o ambiente, nem as pessoas. E depois de aprender mais sobre trabalho em equipe, colaboração e como não agir com um colega de trabalho no primeiro dia, também aprendi a importância de fazer escolhas.



Lição n. 3: ninguém te prepara para erra. E você vai errar!


Algum tempo depois veio aquele que eu considero o primeiro emprego formal, de verdade, para valer: recepcionista. Naquela época, 2004, os monitores eram de tubo, mas nem computador eu tinha na recepção. Era apenas o telefone, meu caderninho e muita vontade de aprender. E não ter a tecnologia por perto foi o melhor caminho para focar na lição mais valiosa da carreira (e talvez da vida) de qualquer um: lidar com pessoas.


E quando todo mundo me fez pensar que, mesmo com o frio na barriga e o nervosismo, as primeiras lições viriam com tempo, é porque não sabiam que eu ia aprender bastante nas minhas primeiras três horas de expediente. Lembro como se fosse hoje. Eu entrava às 07h30, quando o escritório começava as atividades. Por volta das 08h ou 09h a equipe do escritório jurídico chegava. E foi assim que conheci o Dr. Jean, que chegou pela manhã, se apresentou educadamente e subiu para sua sala. Até então o telefone já tinha tocado diversas vezes atrás dele e, em todas elas, eu respondia prontamente “Dr. Jean ainda não chegou, mas posso deixar seu recado para ele”.


O problema é que com o nervosismo do primeiro dia e a mesma resposta várias vezes, mesmo após sua chegada eu continuei no piloto automático. E na ligação seguinte lá estava eu: “Dr. Jean ainda não chegou, mas posso deixar seu recado para ele”. E a mulher do outro lado respondeu, com estranheza, que não precisava, pois ligaria no celular dele. Dois minutos depois o ramal da sala do Dr. Jean toca e eu atendo. Então ele pergunta por que eu estava dizendo que ele não estava no escritório... Gelei do outro lado. Mal sabia eu, mas era a esposa dele ao telefone (que também era advogada do escritório, mas estava em licença maternidade). Eu devo ter ficado de todas as cores do arco-íris naquele momento: eu não tinha nem três horas de trabalho e já estava tomando a minha primeira cagada corporativa. Aí passam todos os piores pensamentos na sua cabeça, com aquela vontade crônica de chorar que você segura para ninguém ver que você está chorando (já basta a vergonha natural do primeiro dia): “Péssima primeira impressão”, “Como você conseguir fazer isso?”, “Sua burra, incompetente!”, “PQP!”, “Quero ir embora agora”, “Não sirvo pra isso”, e por aí vai... Isso tudo enquanto você continua com seu rosto variando em todas as cores do mundo e torcendo pra ninguém entrar na recepção. Aí toca o telefone e gela até a sua alma, com medo da próxima cagada que você pode fazer ao pegar no aparelho. Dessa vez o problema não era saber ou não puxar a linha externa, o problema era euzinha!


Hoje eu olho para trás e rio muito dessa história. Mas lembro de chegar em casa no almoço desesperada pensando se deveria mesmo voltar a tarde ou não.

Te preparam para tudo quando o assunto é começar a vida no mundo do trabalho, mas a verdade é que ninguém te prepara para errar. E sim, você vai errar! Muitas vezes. Porque somos humanos e não estamos isentos de falha. Não fomos programados para sermos perfeitos.

Mas ainda existe uma cultura meio mítica de que você precisa ser perfeito quando assume uma função, muda de cargo ou algo do tipo: quanto mais alto o degrau, mais responsabilidades e menor tolerância a falhas. Mesmo com um grande salto corporativo e muitas mudanças nesse sentido – e tantos programas de preparação para jovens que iniciam no mercado de um modo muito diferente do passado – ainda é um mito com o qual temos que conviver.


As pessoas estão condicionadas ao fato de que você deve estar sempre apto para executar bem suas funções e, por isso, muitas vezes superar expectativas não é motivo de reconhecimento. Mas ouse falhar e você entenderá o peso da menor das decepções em sua carreira.

Está começando sua carreira agora? Não se assuste! Com o tempo você vai aprender outra receitinha mágica: a inteligência emocional. Ela vai te ajudar a lidar com isso. E então os dramas se tornarão lições e boas memórias que te transformarão em um profissional mais completo amanhã. Isso é experiência de vida e carreira. E não apenas suas habilidades técnicas.

Passado o momento “drama no primeiro dia de trabalho” e a semana inicial, você começa a se adaptar. Como eu não tinha computador e sempre fui ativa demais para ficar parada, encontrava maneiras diferentes de ocupar meu tempo: organizar a agenda de telefones, ler livros, estudar, adiantar coisas que eu poderia fazer depois. Mas mesmo assim o tempo não passava. Então eu comecei aquilo que pode ser mais difícil do que parece até para as pessoas mais comunicativas e que tomavam bronca na escola por serem muito tagarelas: se conectar com os colegas de trabalho, o que nos leva à próxima lição...



Lição n. 4: o valor da observação


Todos os dias eu tinha a companhia do office-boy do escritório logo após o almoço, enquanto ele esperava pelos afazeres de rua. No começo ele nem ficava comigo na recepção, se escondia na cozinha. Mas um dia a coisa mudou, depois de algum esforço para puxar papo, sorrir mais e criar aquela empatia básica. Nos tornamos bons amigos e nos falamos até hoje pelas redes sociais. E quando não era boy, era a senhora da faxina, que também até hoje quando encontro na rua rende algumas horinhas de conversa. E você começa a aprender as lições de relacionamento no mundo corporativo desse jeito, bem aos poucos.


Meu gestor, o dono do escritório e quem me contratou, não era de muito papo. Pelo menos não comigo. Então aprendi outra lição valiosa que me ajudou muito em toda a carreira (e essa também serve para a vida!): o poder e valor da observação. Como não conversávamos muito, eu aprendi a ler pelo comportamento dele se ele estava de bom ou mau humor, se eu tinha feito algo bem ou mal, se estava certo ou errado. Tudo por pequenos detalhes no jeito de andar, falar ou olhar. Acredite, essa habilidade pode te ajudar a vida toda. E a mesma lição me ajudou com todas as outras pessoas que passavam pelo escritório.


No meu terceiro emprego essa habilidade me ajudou a identificar rapidinho o humor do meu gestor pelo jeito de andar quando ele chegava de manhã. E a percepção nunca falhava. É um treino, constante, que pode ajudar até mesmo a melhorar seus relacionamentos pessoais, pois você começa a ter mais tato, cuidado e atenção ao se comunicar em cada tipo de situação. Mas veja bem: não é deixar de ser você! É apenas um método para trazer equilíbrio e mais clareza ao modo como nos comunicamos, já que somos naturalmente ansiosos e centrados no que está em nossa mente e muitas vezes nos esquecemos da lição básica da comunicação: a mensagem não é aquela que você emite, mas como as pessoas a recebem. Então saber emitir sua mensagem, mesmo que seja um simples “oi”, pode mudar tudo.



Lições n. 5 e 6: faça o que tiver que fazer bem feito e entenda a importância do bom atendimento ao cliente


Não tendo distrações tecnológicas por perto eu tinha que me atentar em atender bem os clientes, distraí-los enquanto esperavam ser chamados e ter jogo de cintura para saber como contornar as mais diversas situações. Era um escritório contábil e advocatício, então ora tínhamos funcionários de clientes que iam até lá, felizes, para fazer a papelada da admissão. E ora tínhamos funcionários assinando a demissão, esses quase nunca felizes. Ora tínhamos um cliente jurídico resolvendo alguma banalidade, ora tínhamos alguém angustiado esperando por uma solução mágica e imediata. E qualquer um sabe que quando se trata da justiça, nada é rápido. Mas se você atende bem e ajuda a pessoa a passar por aquele momento de forma menos dramática, ela te agradecerá.


Lembro bem de um dia em que uma das clientes jurídicas do escritório estava desesperada atrás da Dra Cristiane. Eu não tinha o que fazer, apenas intermediar o contato. E sabia que a Dra Cristiane também tinha outros problemas muito mais sérios para resolver. Mas a classificação do que é mais ou menos sério muda na perspectiva de cada um. Então eu fiz o que estava ao meu alcance e ao longo de um dia inteiro, apenas com um telefone, tentei ajudar aquela senhora e incomodar o menos possível a Dra. Cristiane. De fato, eu não fiz nada concreto além de ligações (e foram várias) entre ela e a advogada. Não sei até hoje qual era o assunto tratado e nem como ele se resolveu. Mas ao fim do dia recebi novamente a visita da mesma senhora que apareceu preocupada e desesperada pela manhã com uma deliciosa tortinha de maça que ela comprou na padaria da esquina em agradecimento pela ajuda naquela situação que, para ela, era tão importante. E assim, aos 18 anos e no meu primeiro emprego, aprendi a importância do bom atendimento ao cliente da forma mais simples e simbólica possível.

Não importa se você vai derrubar uma montanha ou apontar um lápis velho. Faça o que tiver que fazer bem feito. Esteja por inteiro dedicado ao que está fazendo naquele momento. Alguém espera por isso do outro lado. Sempre. A verdade é que o atendimento ao cliente, seja ele interno ou externo, começa no “bom dia” e não termina nunca.

Quando fui contratada como recepcionista minha função não previa ou exigia “distrair os clientes”. Isso não faz parte das habilidades requisitadas a esse tipo de profissional. Mas é essa habilidade que pode se tornar seu diferencial no mercado de trabalho. É o seu “selo de qualidade” próprio e único. E isso serve para qualquer coisa, em qualquer situação.


Essa “habilidade” me trouxe a oportunidade de crescer e assumir outras funções no escritório. No começo eram só ajudas pontuais com arquivos para a equipe do escritório e do jurídico, que eu fazia na recepção mesmo durante o tempo livre. O pessoal me ensinava pacientemente o que era preciso fazer e quando eu entregava, entendia que poderia dar outas atividades de maior responsabilidade, pois a coisa estava andando bem. Você começa a aprender nesse momento sobre confiança, capacidade de aprendizado, motivação e vontade de dar o seu melhor. Era gostoso ver isso acontecer.


Com o aumento da confiança, quando a recepcionista da loja de informática do amigo do meu gestor, que ficava próximo ao escritório, saiu de férias, ganhei a missão de substituí-la, ficando meio período do escritório e meio período na loja por alguns dias. Era uma missão diferente, pois o público e o perfil era diferentes. E mais alguns aprendizados vieram.



Lição n. 7: você vai encontrar pedras em seu caminho


Com seis meses de empresa eu recebi minha primeira “promoção” na vida: auxiliar de escritório. Deixei a recepção, que ganhou uma nova recepcionista, e fui para a equipe interna auxiliar a responsável pelas atividades de departamento pessoal dos clientes do escritório.


Estávamos em fase de migração de sistema e recebi a tarefa de ajudar no cadastro manual de todos os funcionários das empresas clientes no novo software (na época eu não sabia que era possível importar, então não perguntei porque simplesmente não importávamos aqueles dados). Foi um trabalho de estagiário, literalmente. Mas foi legal aprender, ter o primeiro contato com um sistema e tomar todo cuidado do mundo para não inserir nenhuma informação errada. Aprendi a fazer processos de admissão para ajudar nessa missão também e aos poucos ia me sentindo mais confortável.


De repente o serviço começou a acabar. Eu não tinha mais atividades para fazer porque a responsável não passava. Ela dizia não ter tempo de passar. Mas se estava tão sobrecarregada a ponto de pedir tanto uma auxiliar para nosso gestor? Então por que não aproveitava minha presença ali? Aos poucos eu percebi que não era só a falta de tempo, mas existi um certo medo de compartilhar a responsabilidade e de repente alguém fazer aquilo tão bem quanto ela. Eu jamais tomaria seu lugar. Ela tinha anos e anos e anos de experiência naquilo e eu era uma moleca começando a vida no mundo corporativo (e aquela nem era a minha área!).


Me incomodava não ter o que fazer. Então eu oferecia ajuda para o resto da equipe. E ela não gostou disso. Eu podia ficar sem fazer nada, mas não podia ajuda-los. Era difícil entender aquilo. A cada dia eu me sentia mais incomodada (e então você começa a aprender que muito trabalho é infinitamente melhor do que a falta dele).


Um dia, cansada de navegar na internet e incomodada com a percepção de outros colegas que estavam cheios de trabalho e eu sem nada para fazer, mais o sentimento de incomodo pelo ócio, cheguei de manhã, esperei nosso gestor chegar e quando ele estava na sala, subi as escadas, entrei, pedi um minuto e fechei a porta. Com oito meses de empresa eu pedi a minha primeira demissão, em meio à lágrimas. Eu não sabia se chorava de nervoso, se era decepção porque gostava de lá mas não conseguiria evoluir com aquela pessoa do DP à minha frente, se era pelo primeiro rompimento corporativo. Mas eu chorava. Ele quis entender porque, se alguém tinha feito algo de errado comigo. Mas eu não consegui dizer, sentia como se eu fosse prejudica-la por isso. Faltava aquele traquejo que a gente ganha com o tempo e a maturidade para lidar com a situação. Apenas disse que tinha conseguido um estágio em outro lugar (o que não foi uma mentira, porque em seguida consegui mesmo) e na minha área. Então ele perguntou se eu poderia ficar mais uns dias para ajudar até que me substituíssem e eu disse que sim, mas não naquele dia, porque estava nervosa e preferia ir embora. Voltei no dia seguinte e devo ter ficado por apenas mais dois ou três dias.


Mais uma vez, hoje eu olho para trás e rio por ter chorado e ficado tão nervosa. Mas a maturidade faz parte do aprendizado. A diferença é que hoje eu entendo bem porque chorei. Era a frustração por estar em um lugar bacana, com pessoas bacanas e mesmo não sendo minha área estar aprendendo algo bacana, mas ter à minha frente alguém que não queria ver minha evolução. É ruim sentir que você gera incomodo em alguém sem ter essa intenção. Tudo que eu queria era contribuir, somar, mas isso se tornou um problema ao invés de ser um fator positivo. 

E a última lição que aprendi ali foi que você sempre encontrará em sua trajetória pessoas que não pensam como você, que vão tentar colocar pedras no seu caminho e trazer tantas dificuldades quanto possível. Que não torcem pela sua vitória e não querem te ver bem. Nem sempre estará ao seu alcance lidar com elas ou ignorá-las, mas você sempre terá a oportunidade de escolher ser influenciado por isso ou não.

E ali eu ainda não sabia, mas estava escolhendo não aceitar aquelas pedras em meu caminho e buscar caminhos diferentes, de gente que caminhasse ao meu lado e não escalando por mim, gente disposta a crescer e construir junto.


A moça do DP? Ela foi a última da equipe daquela época a deixar o escritório. Todos que trabalhavam lá no mesmo período aos poucos migraram para outras oportunidades, novos trabalhos. E ela ficou, por muito tempo ainda. Hoje já não faz mais parte da equipe, o escritório cresceu, passou por uma fusão e está bem no mercado. E algumas vezes vejo notícias do meu gestor participando de conferências internacionais e fico muito feliz de saber que um dia, mesmo por pouco tempo, fiz parte daquele time. Foi a minha primeira família corporativa e trago as melhores lembranças e lições valiosas que vão sempre em acompanhar e que me ajudaram a construir parte da profissional que sou hoje.



Lição n. 8: sempre que puder, reveja as lições aprendidas


Treze anos se foram desde então, mas ainda consigo aprender mais uma lição quando olho para trás: as lições aprendidas no passado sempre te ajudarão a aprender coisas novas no presente e no futuro.


Você nunca deve deixar de lado os aprendizados que coleciona ao longo de sua trajetória profissional, pois eles te ajudarão a não repetir os mesmos erros e a tentar sempre buscar a evolução.


E você, tem algum aprendizado do seu primeiro emprego para compartilhar com a gente? Conta aí nos comentários!

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© Letícia Spinardi

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